Parar de fumar, parte I

Dois anos e meio sem escrever no blog deixam a gente enferrujado. Mais uma vez, minhas obrigações de professor levam a culpa da minha (parcial) preguiça em escrever. Resolvi mudar um pouco o tom, uma vez que já ando vomitando política no Facebook até não mais poder.

Há um ano e meio, resolvi parar de fumar. De lá para cá, sei que algumas pessoas ao meu redor tomaram a mesma decisão, inspiradas no meu exemplo – minha fonte foi um amigo em comum, que me confidenciou isto.

Ser exemplo é duro, você se sente na obrigação de não falhar… Por outro lado, é engraçado que eu saiba que algumas pessoas pararam de fumar por exemplo meu e não me perguntaram nada a respeito. Acho que em parte é porque sabem que eu, como professor, estou sempre atolado até o último fio de cabelo em coisas para fazer, e não querem me incomodar com perguntas. É compreensível que seja assim; penso que se ponham no meu lugar com várias pessoas perguntando a mesma coisa e imaginam que eu me cansaria. Pode ser verdade, mas eu estou sempre disposto a ajudar.

Achei que poderia usar este blog já tão esquecido para ajudar não só quem me conhece, mas qualquer outra pessoa que procure ajuda nos buscadores.

Decidir parar

Tomar a decisão é sempre o primeiro passo. Mas quando eu digo “tomar a decisão”, eu falo em resolver parar de verdade. É estar convencido de que você quer parar, e para isto você tem que ter uma boa razão. Se você vai conseguir menter sua decisão é outra história, e pode parecer incrível para alguns, mas falhar na sua decisão e não conseguir parar não quer dizer que você realmente não queria. Simplesmente quer dizer que você não conseguiu desta vez.

O que é uma “boa razão”? A resposta é simples: qualquer coisa que seja importante para você. A boa notícia é que não precisa ser um motivo afetivo, ou seja, você não precisa decidir parar por causa de alguém, por mais lindo que seja ter um nobre motivo de amor. Muita gente decide parar por causa de alguém, mas a má notícia é que acho que somos criaturas egoístas – umas mais, outras menos, mas todos temos algum grau de egoísmo nos motivos que nos levam a fazer algo. Então, leve-se em conta como motivo para parar de fumar.

Em meu caso, houve três motivos: o pessoal físico, o pessoal afetivo e o pessoal profissional, nessa ordem de importância.

O motivo pessoal físico foi minha saúde e meu bem-estar. Eu adorava fumar, mas me sentia cansado e pouco disposto para fazer qualquer coisa. Eu não sou chegado em exercícios físicos, sou sedentário e sei disso. No entanto, algo me disse que parar de fumar ajudaria. Mesmo que não ajudasse muito, mal não me faria.

O motivo pessoal afetivo foi – tcha-raaaaaaaa! – minha esposa. Eu notei que ela não curtia mais o cheiro do cigarro em mim. Ela nunca deixou de ser carinhosa comigo, mas é como dizia o sábio mulherengo-mor da MPB, Vinícius de Moraes: “Quando você se acha o dono do castelo, é aí que ele cai” (ou algo semelhante). Eu não queria que ela se cansasse de mim por causa do cheiro do cigarro, não queria perdê-la e queria agradá-la, fazer algo para ela além do tradicional.

Finalmente, o motivo profissional foi minha produtividade. Fumar, para alguns de nós, pode ser um momento de relaxamento, de higiene mental, ou de socialização. É aquele período do dia em que você para e passa sem pensar em nada, ou que você bate um papo com outros fumantes (“vamos lá embaixo fumar um cigarrinho?”), ou mesmo com não-fumantes que você encontre e que não se incomodem com o cheiro do cigarro.

É bom, é gostoso – sim, eu adorava fumar! Só que esse momento, nas minhas contas, tomava mais de um terço da minha jornada de trabalho. E sei que isto estava me prejudicando profissionalmente. Eu não ia perder meu emprego – estava dando conta da maioria ds minhas obrigações, principalmente das que mais importam numa universidade federal, que é dar minhas aulas regularmente, e fazer pesquisa, orientando alunos se possível. Mas eu sabia que eu poderia fazer muito mais, e isso me incomodava – ainda mais por eu estar em estágio probatório.

Essas foram as razões que me levaram a fumar, e vocês podem ver que há um pouco de egoísmo nisso, sim. Não há mal nenhum em ter razões egoístas para parar de fumar. O fato de suas razões serem egoístas não as invalidam, nem tornam menos provável que você tenha sucesso nessa empreitada difícil que é parar. O que importa é que as suas razões sejam motivos importantes para você, que sejam motivos de cuja importância você esteja convencido.

No próximo post: planejamento é essencial.

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