Se oriente, minha senhora

Mestre Gilberto Gil dizia: “Se oriente, rapaz, pela constelação do Cruzeiro do Sul”. Já eu, diria hoje a Dilma: “Se oriente, minha senhora, pela constelação de Eleitores que lhe deram seu voto”.

Vejo hoje no Viomundo que a aprovação ao governo Dilma subiu de 47% para 49%. O que mais me chamou a atenção na notícia, originalmente publicada no site do UOL, foi a seguinte frase: “O levantamento revela também que a maioria dos brasileiros quer que o ex-presidente Lula opine nas decisões de Dilma”. Claro, aqui podemos ver como notícias são dadas na Folha: diz que há muitos brasileiros que querem que Lula opine no governo Dilma, mas não diz quantos são. Dado que já se conhece o bom e velho padrão Folha de jornalismo, fui atrás de fuçar na edição impressa (mas online) da Falha (com “a”, mesmo) sobre a pesquisa Datafolha.

Acabei encontrando este link e este aqui. Do primeiro, vemos que são 64%, os que querem que Lula tenha efetiva influência sobre as decisões do governo Dilma. No segundo, vemos:

Para 64% dos brasileiros, Lula deveria mesmo participar das decisões de Dilma, informa reportagem da Folha publicada neste domingo (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Quatro de cada cinco pessoas acreditam inclusive que o ex-presidente já esteja fazendo exatamente isso.

Segundo pesquisa Datafolha realizada na quinta e na sexta passadas, são os menos escolarizados no país os que mais defendem a participação de Lula nas decisões do governo –69% na faixa do ensino fundamental.

São informações muito significativas. É hora de Dilma prestar mais atenção à militância que a elegeu mas, principalmente, de que se dê conta de por quê foi eleita.

Se há tanta gente querendo que Lula tenha efetiva influência no governo Dilma, a razão – pelo menos para mim – é óbvia: os rumos do governo Dilma, na opinião da maioria dos entrevistados pela pesquisa, não correspondem à razão pela qual foi eleita. Razão que, recordemo-nos bem, não foi seu carisma ou eventuais amplas habilidades políticas, mas a promessa de ser continuidade do governo Lula. Do segundo, bem entendido. Porque daqui de longe, parece que Dilma está se empenhando em fazer uma reprise do primeiro quando todos seus eleitores achamos que se é para ter reprise, que seja do segundo.

Não há necessidade de Dilma ser Lula e muito menos que Lula participe efetivamente deste governo como ministro. Sim, porque o PIG poderia, então, tachar Lula com todas as letras, e até com um certo fundamento, de Putin tropical. É necessário, isso sim, que o atual governo seja coerente com o governo anterior, coisa que Dilma não está sendo, à parte alguns projetos sociais e o reforço às estruturas e ao poder de Petrobrás. Mas, segundo este decepcionado e agora bastante desconfiado militante, sabe Deus até quando também isto durará, com o atual andar da carruagem.

O recado é claro: “queremos que o governo Dilma vá na mesma direção do governo Lula”, e este é o primeiro sinal que, ainda que o povo perceba que atualmente não vai, é talvez por falta de bom aconselhamento. Dona Dilma que não leia as entrelinhas da pesquisa, que não escute seu eleitorado e sua militância, e que não tome tento, passando a agradar o povo que a elegeu, ao invés de agradar à turma a cujos nomes Palocci é muito mais leal que a seu país. Passará um inferno astral pior que o de agora. E sem fazer o menor esforço.

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