O que realmente quis dizer uma reporcagem do Estadão.

“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça” certamente é um dos versos mais cantados da música brasileira. Mas mal sabiam Vinícius e Tom que este verso poderia também servir para que nos regozijemos da desgraça alheia!

Calma, querido leitor. Não é o que você está pensando. O que acontece é que o Conversa Afiada chama a atenção para  uma matéria do Estadão de hoje, 5 de abril de 2011, onde se mostra que o FMI de endossará o controle de fluxo de capitais, recomendando-o para as economias emergentes. Por si só, dado o histórico Friedmaniano do órgão (que na verdade, não é órgão de verdade e está mais para apêndice canceroso – não presta pra nada e mata aos poucos), isso já é uma coisa linda. Mas, cheia de graça, mesmo, é a reação da pessoa que escreveu o artigo do Estadão. Dá pra sentir as lágrimas grossas escorrendo pela cara, e pode-se mesmo ouvir os soluços. Lindo de morrer.

O problema de jornais como o Estadão é que eles têm que dar um verniz de seriedade e isenção às matérias que publicam. Compadecido, eu, que faço parte dessa mídia suja mas sem compromisso com nada em especial, dou voz à verdadeira mensagem da escritora do Estadão. Tadinha da moça. A julgar pela enorme quantidade de erros de português no artigo, devia estar tão triste que tomou uns birináites pra afogar as mágoas e deixou transparecer.

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Gente, esse pessoal do FMI endoidou, só pode. Ou então resolveram trair São Miltão: dá pra acreditar que agora esses vira-casacas vão começar a dizer pros paisecos emergentes pra controlar o dinheiro que entra e sai? Dá pra acreditar?

Certamente há alguma coisa errada na comunicação interna entre os cabeças do FMI, pois agora os países que eram, até agora, os paraísos terrestres dos especuladores financeiros, tais como Brasil, China e Indonésia, agora vão ser aconselhados – ah, o horror! – a controlar os fluxos financeiros. Isso deve ser coisa desses canalhas desse franceses. Sapos perfumados nojentos, sabe o bom Deus por que têm tanta influência no G-20.

Gente, o FMI sempre foi uma máquina de imposição férrea do ideário neoliberal, quase uma espécie de Rocco Siffredi econômico, e agora eles vão abrir as pernas pra essa esquerdinha comunista que quer que os ricos do mundo fiquem pobres? Que história pra boi dormir é essa de código de conduta, gen-tem?

Esse negócio de controles de capital ou de utilização de impostos, taxas de juro e outros instrumentos de política para controlar o fluxo de dinheiro dentro e fora dos países, arruinam qualquer banqueiro, qualquer gestor de fundo de hedge e qualquer administrador de carteira, que querem a livre circulação do dinheiro de seus clientes. Meu tio é banqueiro, meu pai é gestor de fundo de hedge e meu marido é administrador de carteira. Precisa ver como ficam arrasados, os pobrezinhos, quando não conseguem fazer a montanha de dinheiro que seus clientes jogam circule livremente pros seus bolsos. O pior de tudo é que, se meu marido fica arrasado, a coisa fica dura – ou melhor, não fica – quando ele chega em casa, todo pra baixo. Todo mesmo.

E agora vem esse retardado do Dominique Strauss-Khan e arrasa com a minha vida sexual.  Ele vai ver só o que é pragmatismo, se um dia ele estiver do meu lado!

Eu tou torcendo pra que haja exceções nas recomendacões do FMI. Aliás, várias exceções, espero que haja mais exceções que regras, pra dizer a verdade. E olha, gen-tem, não adotem essas novas medidas que o FMI vai recomendar, que não dá certo, não. Não é que leve muito tempo, é que nunca funciona, mesmo. (Ai, tomara que vocês acreditem, tomara, tomara, tomara…) E não discriminem o capital estrangeiro, viu? Quem gosta de discriminação é o Bolsonaro e não, o especulador.

Tabu

Aliás, esse FMI parece que está indo pelo mesmo caminho do Papa, minha gente. Controle de capital é igual a usar camisinha, gente, é proibido por leis divinas… e nem ousem perguntar por que! E aí, basta ter uma crisezinha de bosta como essa de 2008, que já vêm agitadores – esses paisecos em desenvolvimento – fazer lambança na divina ordem das coisas.

Se vocês forem olhar bem pra coisa toda, vocês vão ver que esse negócio todo de juro alto, sem controle nenhum, foi bom pra todo mundo: o dinheiro vai entrando igual água, e aí todo mundo lucra, empreiteiros e gestores de derivativos tóxicos nos bancos. Tudo bem, o povo acaba lucrando também, com as obras de infra que são feitas, mas… uma hora dessas a gente dá um jeito de acabar com essa farra de pobre e de comuna que só quer impedir que minhas queridas amigas que moram em Noviórqui fiquem menos ricas porque seus maridos não vão mais poder sugar dinheiro desses paisecos, nem aumentar os preços do mercado imobiliário comprando um monte de apartamentos e casas somente pra deixá-los vazios.

Certamente que isso é coisa de alguma turminha do contra, uma gangue de sem-vergonhas que se infiltrou no FMI. Com certeza, querendo o bom Deus, vai rolar uma porradaria forte aí entre a turminha do pântano e a turma de guardiães sagrados do neoliberalismo, os ungidos que constituem este seleto grupo de, como diria o sábio Professor Hariovaldo Almeida Prado, homens bons. Essa cisão, essa cisma, essa bazófia, com certeza, é coisa dessa corja que acredita em luta de classes. Não satisfeitos em querer forçar uma luta de classe nas fábricas, agora eles querem forçar uma luta de classes a nível mundial! Mas, estejam seguros: não vão conseguir! Ora bolas, os países avancados têm infinitamente mais classe que esses medíocres nouveaux-emergents

Eu fico danada com essa coisa toda. Espero – e sinceramente, espero de verdade – que o FMI resolva voltar à razão e mostre a esses mesquinhos desses países emergentes como essas medidas absurdas (com relatórios de dados manipulados, se preciso for) vão prejudicar seus parceiros comerciais. Afinal, o que será de um país de economia avancada se cada criança não puder ter um Wii ou um Super-Nintendo, se uma mulher não puder ter mais de trinta pares de sapatos, ou se um homem não puder dirigir seu próprio monster truck zero quilômetro? Já imaginou os prejuízos que isso vai causar no inconsciente coletivo dos parceiros comerciais dos nouveaux-emergents? Só tomando uma pinga pra aguentar essa visão do inferno comunista que se nos avizinha.

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