Dilma, olha o aviãozinho!

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O aviãzinho que O Globo quer usar pra bombardear a Dilma

Um amigo postou um link para reportagem do Globo no Facebook:

Maioria dos leitores do site do GLOBO prefere o caça F-18, dos EUA

E depois pergunta: “Será que o Globo é americanófilo?”

É.  O Globo é americanófilo, sim. Era a favor da mudança de nome da Petrobrás e de sua privatização nos moldes das privadoações de FHC. Mas, mais que ser americanófilo ou não, a questão aqui é outra:

“Será que o Globo é anti-Lula, anti-Dilma e pró-PSDB?”

Essa não precisa nem ser respondida, por óbvia que é.

O importante aqui, para O Globo, não é se vamos fazer a melhor compra mas, sim desautorizar o Lula. Dar a impressão que Dilma vai fazer tudo ao contrário. Tudo o que a Dilma fizer, quer seja destoante ou que mude, o que o Lula faria, O Globo vai apoiar e recomendar. Mesmo que isso fortaleça a Dilma politicamente. Se o que a Dilma fizer destoar ou desautorizar o que Lula faria, e ainda por cima enfraquecê-la politicamente, vai ser a cereja em cima do bolo.

Só que O Globo não vai dar ponto sem nó.  Uma coisa é a realidade factual, outra, é a maneira como se conta a história. Dependendo de como se conta um fato, tudo muda. No cinema mais recente, dois filmes ilustram muito bem a questão da narrativa e suas implicações: um filme francês com Audrey Tautou, “Bem me quer… mal me quer” (À la folie… pas du tout), de Laetitia Colombani, e “Herói” (Hero), de Zhang Yimou. Nos dois filmes, a maneira de contar a mesma história leva a diferentes conclusões.

Lendo a matéria do Globo, entende-se algumas coisas.

  1. O Globo dá um falso verniz de reivindicação popular, através de pesquisa em que dizem que a opinião de seus leitores concide com a sua – pois O Globo sempre defendeu a compra dos aviões da Boeing. Com isso, fica essa falsa impressão de clamor popular.
  2. O Globo tenta, mais uma vez, descolar Dilma de Lula e fazer com que Lula pareça um gastão irresponsável. E, com o descolamento, de quebra, pintar Dilma como um Brutus de saias.
  3. O Globo maquia os fatos, dando as informações pela metade. Coloca, de maneira muito vaga, que a Boeing “chegou a assegurar a transferência de tecnologia”, mas não dá maiores detalhes. O link para a matéria exige que o leitor seja cadastrado no Globo para lê-la.

Por sorte, a internet é extremamente redundante em informações, e no site Defesa@Net há clippings de várias reportagens que saíram sobre o assunto. O Globo diz que a proposta da Rafale é 40% mais cara que a da Boeing mas não nos lembra, por exemplo, que Lula escolheu a proposta da Rafale por incluir a transferência irrestrita da tecnologia. Paga-se 40% a mais, mas com certeza se está pagando menos: imagina o valor agregado de toda essa tecnologia vindo de mão beijada? Neste artigo do Correio Braziliense, também publicado no Defesa@Net, a Boeing estima que o custo de criação de toda a tecnologia que seria transferida exigiria investimentos da ordem de US$ 1,5 bilhão.

No entanto, revisemos, a proposta da Boeing é a de transferência “necessária”, enquanto que a da Rafale, de transferência irrestrita. Para resumir a ópera, a transferência “necessária” se resumiria “ao que fose requisitado pela Ministério da Aeronáutica”, enquanto que a transferência “irrestrita” incluiria também os processos de fabricação, usinagem, metalurgia de materiais sobre os quais não temos domínio, entre outras coisas.  Para saber mais, leia a matéria do Defesa@Net sobre as diferenças entre transferência necessária e ilimitada (que inclui a proposta de transferência de tecnologia da sueca Gripen), a proposta de transferência de tecnologia da Boeing e a proposta de transferência de tecnologia da Rafale. Mesmo agora, a Boeing continua relutando em transferir tecnologia, preferindo afirmar de modo muito vago que “está disposta a trabalhar com o novo governo para ‘entender suas prioridades e o que se quer alcançar com o programa’ “.

Nada disso nos é lembrado pelo Globo. O Globo apresenta a revisão do processo de compra dos caças de uma tal maneira, que pensamos que Dilma está afiando seu punhal olhando para as costas de Lula. Mas, será que Dilma está simplesmente querendo apunhalar Lula vergonhosamente, ou há algo mais que não sabemos?  O Paulo Henrique Amorim, em seu Conversa Afiada, nos dá uma ótima razão para o que, visto de fora (ou melhor, conforme pintado pelos golpistas do Globo), parece ser uma traição suja. Leitura recomendadíssima.

Em resumo: a campanha presidencial para 2014, que já tinha começado em 2010, no próprio dia seguinte ao anúncio da eleição para 2011, continua firme e forte. Dilma que se cuide e não faça sua propaganda, para ver quem vai ser Brutus e quem vai ser César, nesta história.

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