Como causar escândalo

Ah, meu querido PIG!

Parece barata. Já viu barata quando leva uma chinelada? O bicho fica lá, com as entranhas de fora, patinha quebrada, mas se mexendo. O bicho se recusa a morrer. No caso do PIG, temos uma barata ilustrada, que sabe (será que deveria conjugar o verbo no pretérito?) como escandalizar o leitor.

A receita para causar escândalo com um governo é simples: pegue números, os maiores possíveis, e mostre-os em abundância, sem contextualizar. Ou, se contextualizar, faça-o só no finalzinho. Se possível, em letrinhas miúdas. No entanto, termine seu texto deixando claro que, apesar do contexto desmontar o escândalo, a coisa continua sendo escandalosa.

Não se esqueça do famoso ditado: “uma imagem vale mais que mil palavras”. Ilustrado ou não, o ser humano é uma criatura essencialmente visual, portanto, use associações de símbolos gráficos para reforçar sua tese. Não ligue se a associação é incorreta ou indecente, se o seu objetivo for impor uma falácia: símbolos gráficos têm enorme poder persuasivo, e causam enorme impacto como primeira impressão. Lembre-se: muitas vezes olhamos figuras mesmo antes de ler o texto, pois figuras transmitem informação de maneira muito mais concisa que palavras.

Por que deve a imprensa causar escândalo? Geralmente porque está em profundo desacordo com algo que lhe desagrada profundamente. Algo que lhe fala fundo, que agride seus preceitos. Algo que lhe faça correr atrás de valores que lhe são caros. Coisas importantíssimas, como dinheiro e aumento da concorrência na disseminação da informação.

Quando deve a imprensa causar escândalo? De preferência, quando (achar que) o candidato está neutralizado, seja por estar relaxado, seja por já estar fora de combate. Mas, para impor falácias, o ideal é que se puxe o tapete. Fica mais fácil fazê-lo quando o adversário já não está mais em cima dele.

A Folha, órgão de comunicação que eu adoro, providencia exemplos de desonestidade jornalística dignas de livro-texto. Perde leitores a rodo nas bancas, sendo sustentada em parte pelos contratos sem licitação de Juzé Cerra, que fornecem essa deliciosa leitura a todos os estudantes da rede de escolas públicas estaduais de São Paulo. São uma das quatro grandes baratas ilustradas do nosso país, que levou uma chinelada de seus leitores. Ou alguém vai dizer que está sendo cerceado pelo Lula, a não comprar a Folha? Divirtam-se desconstruindo o discurso da notícia abaixo, cujo título serve de enlace para o original.

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Governo Lula põe publicidade em 8.094 veículos de comunicação

FERNANDO RODRIGUES

DE BRASÍLIA

Quando Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse, em janeiro de 2003, apenas 499 veículos de comunicação recebiam verbas de publicidade do governo federal. Agora o número foi para 8.094.

Esses jornais, revistas, emissoras de rádio, de TV e “outros” estão espalhados por 2.733 cidades. Em 2003, eram só 182 municípios.

Só neste ano eleitoral de 2010, o dinheiro para publicidade de Lula passou a ser distribuído para 1.047 novos veículos de comunicação.

A categoria “outros” inclui portais de internet, blogs, comerciais em cinemas, carros de som, barcos e publicidade estática, como outdoors ou painéis em aeroportos.

Chama a atenção o aumento do número de “outros”. Em 2003, eram apenas 11. Agora, são 2.512. A informação do governo é que a maioria é de sites e blogs.

Lula e sua equipe de comunicação não escondem a simpatia pelo novo meio digital. O presidente foi o primeiro a conceder uma entrevista exclusiva dentro do Planalto para o que a administração petista chama de “blogs progressistas”.

Lula da Silva avançou na transparência em relação ao governo do tucano Fernando Henrique Cardoso.

Nunca existiu esse tipo de estatística até 2003. Ainda assim, há buracos negros no processo. Não se sabe quais são os veículos que recebem verba de publicidade estatal nem quanto cada um ganha.

O valor total gasto nos dois mandatos, até outubro deste ano, foi R$ 9,325 bilhões. Dá média anual de R$ 1,2 bilhão.

Essa cifra não inclui três itens: custo de produção dos comerciais, publicidade legal (os balanços de empresas estatais) e patrocínio.

Produção e publicidade legal consomem cerca de R$ 200 milhões por ano. No caso de patrocínio, o gasto médio anual foi de R$ 910 milhões de 2007 a 2009.

Tudo somado, Lula gasta R$ 2,310 bilhões por ano com propaganda. Os valores são semelhantes aos do governo FHC, embora inexistam estatísticas precisas à disposição.

A diferença do petista para o tucano foi a dispersão do dinheiro entre os 8.094 jornais, revistas, emissoras de rádio, de TV e sites. Um espetáculo de 1.522% de crescimento de veículos atendidos.

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