Breve curso de práxis privatista FHC-iana para Twitter

Hoje tive um embate com admiradores empedernidos das privatizações piratescas de FHC durante seu governo. Foi a mesma ladainha que Padim Pade Cerra entoava em sua campanha: não fosse FHC privatizar as teles, não haveria celulares nem internet no Brasil, seguido de bordões neoliberais batidos e tendenciosos do tipo “tudo o que é privado funciona melhor e mais eficientemente”. Tendenciosos, porque o conceito de eficiência dos empresários carniceiros não leva em conta o social. No embate, debati, retruquei, dei contra-pontos, enfim, o de sempre.

No entanto, a um certo ponto, um dos FHC-istas me manda a seguinte pérola para desqualificar o que seja de estatal, como ineficiente: “Experimenta trabalhar na Petrobrás: dia começa às 10, almo;co às 11:45, voltam às 13:45 e terminam o dia às 16:30”. Deixando de lado o fato de que a Petrobrás dá lucros enormes e, mesmo com toda essa suposta bandalheira, é um dos maiores motores econômicos do país, isso me levou a pensar nos mecanismos que levam a esse tipo de raciocínio.

O ruim é que sintetizar este tipo de raciocínio, no calor de uma discussão no Twitter, é complicadíssimo. Portanto, caros leitores destas mal-traçadas linhas, no caso de vocês necessitarem explicar para um FHC-ista empedernido este perverso mecanismo em meio a uma discussão no Twitter, peçam simples dezesseis tuitadas de silêncio. Tenho o prazer de apresentar-lhes, em dezesseis tuitadas de menos de 140 caracteres cada, que podem ser rapidamente reproduzidas com CTRL-C e CTRL-V, o maravilhoso…

Breve curso de práxis privatista FHC-iana para Twitter (1)

Todo neoliberal acha que o estado é ruim. Então, sacaneia tudo o que é estatal até não poder mais, para depois sucatear. (2)

Sucateamento (s.m.): quando a empresa estatal está arrebentada, vende-se a preço de banana pra algum empresário carniceiro. (3)

O empresário carniceiro pega a empresa, despede 90% do pessoal e a empresa passa a dar lucros 140% maiores. (4)

Aí o empresário carniceiro diz pra todo mundo: “tá vendo como Estado é merda? E vocês ainda pagam montes de imposto.” (5)

Não importa se desse lucro, (absolutamente) nada vai para o social, e (quase) tudo vai para o bolso do empresário carniceiro. (6)

O negócio é impressionar pela suposta eficiência recém-adquirida às custas de demissões e aumento da pressão laboral. (7)

Isso, claro, sem contar com eventuais rebaixamentos de salário para os novatos, em relação aos salários dos demitidos. (8)

Resumindo a ópera até aqui: joga-se fora a água da banheirinha do bebê, mas com o bebê junto. (9)

Aí, um monte de trabalhadores, que deveriam estar putos porque nada vai para eles, admiram-se com a tal “eficiência”. (10)

Reclamam que os funcionários públicos têm jornadas menores que as deles, querendo sangue: que eles também sofram mais. (11)

Parece ilógico, mas a lógica é simples: as privatizações acontecem como um trator esmagando tudo… (12)

… e isso dá uma sensação de impotência diante dessa inexorabilidade, essa inevitabilidade. (13)

Então, a solução não é querer que sua vida melhore. É querer que a do outro piore. E isso acontece como? (14)

Querendo que tudo seja privatizado, deixando o empresário com um sorriso de orelha a orelha. (15)

Pergunta de avaliação do curso Twitter de práxis neoliberal: as privatizações à la FHC são boas para quem, mesmo? (16)

E, se você chegou até este ponto do texto, deixo um ótimo link para ler a farra de doações caridosas do patrimônio brasileiro ao grande empresariado estrangeiro que foram as privatizações de FHC (porque é muito mais chique ser estrangeiro, que brasileiro vira-latas):

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17097

Para terminar, não acho que o Estado tenha que ser dono de tudo. E não sou contra algumas privatizações completas, desde que

  1. o preço de venda seja justo,
  2. que estas privatizações não sejam de empresas de áreas estratégicas para o país e
  3. haja contrapartidas de retorno social e econômico para o país.

No entanto, acho que há determinadas áreas em que o governo tem, sim, que ter controle completo, ou pelo menos, ter seus 51% nas ações, no caso de ser uma empresa de capital aberto. Se é pra não satisfazer a um ou mais destes três itens, é completamente preferível deixar como está ou melhorar a gestão, do que sucatear para depois doar em bandeja de prata a carniceiros.

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