O complexo de pitonisa da velha mídia (ou: como o PIG queria ser a Neila Alckmin)

O Nassif chama os quatro grandes veículos de comunicação, e todos os outros que acham que são os donos da verdade, de “velha mídia”. O Paulo Henrique Amorim cunhou um termo forte mas genial e muito adequado: PIG, Partido da Imprensa Golpista. Eu os chamo de “Quarteto Fantástico”, mas bem os podeia chamar de “Os Incríveis”. Adoro quadrinhos e desenhos animados, como se pode ver.

Seja lá o nome que se queira dar, estes veículos são formadores de opinião. Só que o modo como formam opinião é o pior possível, seja divulgando informações contraditórias ou distorcidas. Ultimamente, antes mesmo de qualquer ministro ser nomeado, o Estadão já sabe todas as medidas do governo Dilma e profetiza, ainda que de modo insinuador, que será um governo tucano, uma espécie de “FHC days re-visited”. Nesta matéria no site do Nassif, onde se reproduz uma matéria do Estadão (veja o mesmo assunto abordado pelo portal Terra), o Nassif comenta:

Alguns reparos à boa matéria de O Estadão.

1. Desoneração da folha nunca foi unanimidade no setor produtivo, porque significaria trocar impostos sobre a folha por impostos sobre o faturamento. E aí sempre enfrentou resistência dos grandes grupos, intensivos em capital.

2. Não me lembro de uma proposta Palocci de desoneração da folha. Talvez o jornal tenha se referido à volta das reformas micro-econômicas como um todo, não da desoneração da folha em particular.

Isso de associar propostas como as de desoneração de folha de pagamento ao Palocci é uma estratégia de desqualificar o governo Dilma como sendo realmente uma re-edição do governo FHC. Lembremo-nos que o Palocci, quando assumiu a Fazenda, basicamente continuou a política econômica do Malan, acho eu que forçado pelas circunstâncias. Com o risco Brasil na lua, os juros estratosféricos e as reservas cambiais do Brasil no nível em que estavam, deixados por FHC, só se podia inicalmente continuar, pois qualquer guinada forte seria um choque para “os mercados”, esta entidade tão instável e abstrata, e tão presente e pervasiva na vida de todos os países. “Os mercados”, com qualquer choque mais forte, nos estraçalhariam sem nem pestanejar.

A velha mídia, PIG ou seja que nome demos, está em uma onda de continuar a querer ditar as tendências. E, por mais que não queiramos, ainda influencia muito fortemente uma boa parcela da população brasileira, justamente a que votou no Serra.

Volta e meia, posto algum comentário sobre política, economia e/ou governo em meu muro no Facebook. Volta e meia, correspondentemente, um amigo serrista hardcore vem ao meu perfil Facebook pra “xingar” a Dilma de serrista em suas ações. Em um de seus comentários, me disse que para a Dilma “só falta o bico para ser tucana completa, dada a plumagem tucana que sua política econômica já assumiu com a continuidade das medidas do Palocci”.

Desta velha mídia, as únicas duas publicações que acompanho são o Estadão e a Folha, os dois online, por estar fora do Brasil. A Veja, nem passo pelo site pelo asco que me causa e o Globo, porque só se pode ler parte do que ali se publica, sem ter uma assinatura. Suspeito que  seja justamente a Veja, que foi infinitamente mais truculenta que seus outros três “irmãozinhos de armas”, quem esteja com esta linha editorial de modo mais explícito. O Estadão também tem, mas de modo não-declarado, bem insidioso, sempre dizendo que tal e tal coisa foi criada no governo FHC e tornou-se o modo principal de operação no governo Lula.

Como é que estes jornais e revistas podem outorgar-se as qualidades e poderes de ditar o rumo dos acontecimentos -futuros! – como a verdade absoluta? Ainda não se deram conta que foi-se a época em que, apoiados no regime militar de que (nem tão) secretamente morrem de saudade, o que diziam tornava-se a verdade absoluta? Essa velha mídia… ô, vontade de ser Neila Alckmin!

Só há uma coisa: estando aqui na Espanha, acompanho com muita facilidade os jornais espanhóis e publicações européias, inclusive em suas versões impressas. O “El País”, por exemplo, um dos maiores e mais lidos aqui na Espanha, tem um correspondente aí no Brasil que, pelo visto, se guia pelas reportagens do Quarteto Fantástico para elaborar suas matérias no periódico espanhol. Durante a campanha eleitoral, abundaram notícias que pareciam simples reproduções do discurso conservador do Quarteto. Até a criação do conselho regulador de mídia proposto no Ceará foi noticiado aqui, pelo “El País”, como uma tentativa de cercear a liberdade de imprensa à la Chávez. E o Courrier International, de uma hora para outra, passou a somente publicar matérias da Veja sobre o governo Brasileiro, passando uma imagem fortemente negativa. Não nos enganemos: aí no Brasil o PIG perde força, mas aqui fora ainda são muito influentes – e, com o poder de influenciar a opinião pública, continuam a ser bastante perigosos.

Nota: O título deste post deve-se a um tweet da amiga Luzia Urbes (@urbeslz). Obrigado pela sugestão, Luzia!

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